IARP – Instituto de Alergia de Ribeirao Preto

Alimentação no primeiro ano de vida

Passada a fase de Aleitamento Materno exclusivo (seis primeiros meses), agora o bebê está pronto para começar a experimentar o mundo das comidas. Este pode ser uma etapa ao mesmo tempo difícil e divertida.

A partir de seis meses os bebês devem passar a experimentar o que o mundo oferece em termos de alimentação diferente do leite materno. Pode parecer estranho, mas ele já tem algumas preferências quanto aos sabores que ele experimentou por meio do leite da mãe.

O leite materno é uma solução aquosa com um gigantesco número de componentes nutritivos em uma formulação exclusiva para os bebês, mas sua constituição pode variar sensivelmente a depender da dieta da mãe. Precisamos lembrar que os componentes do leite chegam até as glândulas mamárias através do sangue e o sangue coleta os nutrientes da alimentação nos vasos que irrigam o sistema digestório, ou seja, o que a mãe come acaba, invariavelmente, terminando no leite.

Assim, fica fácil imaginar que os hábitos alimentares da mãe irão influenciar desde muito cedo o paladar do bebê, por isso o cuidado com a alimentação da mãe vai para além de uma questão puramente nutricional. Dito isso, fica a dica, enquanto estiver amamentando, alimente-se de tudo um pouco e evite comidas industrializadas. Com certeza isso contribuirá para que a próxima etapa seja mais fácil.

Introduzindo alimentos sólidos na dieta do bebê

A partir de agora seu bebê viverá uma experiência nova a cada alimento que for introduzido. Serão várias carinhas de surpresa, espanto, repulsa, nojinho… Tudo isso é absolutamente normal, mas o ideal é que seja possível introduzir uma grande variedade de alimentos para que o paladar se desenvolva adequadamente.

Apesar de dar vontade de dar de tudo para o bebê agora que ele começou a comer (precisamos ter cuidado com esse “tudo”), algumas coisas são importantes de observar.

  1. A amamentação no peito deve ser mantida pelo menos até os dois anos de idade se não houver nenhum impedimento. Os alimentos não substituem o Leite materno, mas sim o complementam!!!
  2. Caso o bebê ainda esteja recendo leite materno, a alimentação deverá ser introduzida de forma gradual até que se tenha três refeições. Caso já não seja mais possível o aleitamento materno, cinco refeições diárias.
  3. A alimentação deve ter textura pastosa, que vai variar com o passar do tempo de algo como um purê molinho até um mingau mais resistente até que se inicie com alimento mais firmes e sólidos e termine com a alimentação do dia-a-dia da família.
  4. Introduza poucos alimentos novos por vez, mas varie ao longo do dia. Dê tempo para que o bebê se acostume com os novos sabores. O desenvolvimento do paladar também é uma questão de aprendizado. A Sociedade Brasileira de Pediatria sugere no Manual de Alimentação da Infância à Adolescência (p. 49, 4ª Ed., 2018), “de 8 a 15 ofertas para observar aceitação”.
  5. Atenção com alimentos que apresentam mais chance de serem causadores de alergias ou intolerância! Leite de vaca, trigo, soja, ovo, frutos do mar, peixes, amendoim, só para citar alguns. Nestes casos, sempre que for introduzir um destes alimentos, não ofereça outro no mesmo período. Introduza um destes alimentos por semana. Assim, se houver alguma sensibilidade você saber o alimento causador.

A introdução do leite de vaca não é indicada no primeiro ano de vida.

  1. No início, não se preocupe demais com os horários das refeições complementares à amamentação. Perceba e respeite os sinais do bebê. Com o tempo pode-se introduzir uma rotina mais rígida quanto aos horários de mamada e de comida.
  2. Procure oferecer sempre alimentos o mais próximo do natural possível. No início não utilize temperos nem mesmo o sal. Assim o bebê desenvolve melhor o paladar e terá mais facilidade para aceitar sabores variados.
  3. Alimentos processados, industrializados, com aromatizantes, corantes, açúcar e qualquer tipo de aditivos devem ser evitados a todo custo até pelo menos dois anos de idade. Neste período a introdução de saborizantes, intensificadores de sabor e o doce do açúcar somente trarão prejuízos. Sucos industriais, refrigerantes, refrescos de saquinho, nem pensar!
  4. Não descuide da higiene. Crianças são crianças e vão fazer coisas que nós não faríamos. Vão comer comida do chão, vão esfregar a fruta no carrinho e colocar na boca… Isso faz parte do desenvolvimento, também é aprendizado e não é tão terrível quanto possa parecer. Por outro lado, devemos sempre manter a atenção com os utensílios utilizados no preparo e no servir da alimentação para evitarmos a proliferação de microrganismos nocivos, bem como com o tratamento dos alimentos in natura. Para isso, deixe em imersão em água com hipoclorito (um litro de água e uma colher de café de hipoclorito a 2,5%) os utensílios e alimentos in natura (frutas, legumes e verduras) por pelo menos quinze a vinte minutos antes de usar.
  5. Não se esqueça da água. Agora, com a introdução de alimentação diversa do leite materno, é importante que a criança comece a ingerir água potável e existe uma regra para saber o quanto oferecer, a Regra de Holiday-Segar que diz o seguinte: Até 10 kg de peso, 100mL/kg/dia (uma criança de 10kg, então, deve ingerir 1L de água por dia); entre 10-20kg, de 1L a 1,5L de água por dia e acima de 20kg, no mínimo 1,5 L por dia.

Em resumo, podemos dizer que a evolução da alimentação do bebê ao longo do primeiro ano de vida deve seguir o esquema da tabela abaixo.

Idade em meses x Categoria de alimentos

Até 6 meses – Exclusivamente leite materno

Entre 6 m e 2 anos – Leite materno e alimentos complementares

6º mês Frutas – (amassadas ou espremidas) e legumes (amassados);Papinha de mais de um ingrediente ( incluindo carne ou ovo)

7º e 8º meses – Papinha de mais de um ingrediente

9º a 11º meses – Apresentação de texturas mais consistentes e pedaços;
Aproximação da alimentação familiar

12º mês – Alimentação familiar (com limitações)

Modificado de Manual da Alimentação da Infância à Adolescência, 4ª Ed. Soc. Bras. de Pediatria, 2018.

Sabemos que seguir todas essas recomendações não é simples e que há casos em que simplesmente não é possível, mas não de desespere, há alternativas seguras para as diferentes situações que possam ser um complicador na manutenção da dieta do bebê.