IARP – Instituto de Alergia de Ribeirao Preto
A Organização Mundial da Saúde recomenda que o aleitamento materno seja a única fonte alimentar do bebê até seis meses de idade, mas que continue com a adição de outros medicamentos até pelo menos dois anos de idade.
Nos últimos anos tem havido um forte movimento mundial com o intuito de (re)naturalizar o ato do aleitamento materno independentemente do local onde seja realizado. Por algum tempo houve certa recusa de aceitação (por questões “morais”) que uma mãe amamentasse seu filho em locais públicos. Por sorte, essa visão deturpada do que é a amamentação tem se modificado e a beleza da relação mãe-bebê passou a ser reconhecida mais amplamente.
Este é um momento único na vida do bebê e como mamíferos temos a necessidade biológica de que isso aconteça sempre que for possível. Claro que existem situações em que este contato é impossibilitado, mas se a mãe produz leite e ambos estão saudáveis, a amamentação deve ser a primeira escolha alimentar para o bebê.
Em nosso tempo, a tentação em “complementar” a alimentação do bebê é gigantesca, mas resista. O leite materno é tudo o que o seu bebê precisa nesta etapa inicial da vida, entretanto, para que o leite seja nutricionalmente adequado, é importante que a mãe esteja se alimentando bem. Dito isso, faz mais sentido a preocupação com uma alimentação balanceada e rica em nutrientes para a mãe, assim o bebê receberá tudo o que precisa pelo leite.
O sistema imune ainda não está funcional, o sistema nervoso necessita de estímulos para terminar sua formação, o sistema respiratório não funcionava até o momento do parto, o sistema digestório ainda não foi colonizado por uma flora bacteriana, ou seja, o que acontece nesta etapa da vida é fundamental para seu bom desenvolvimento.
Neste sentido, o aleitamento materno nutre o bebê com tudo o que ele necessita, e aqui a palavra nutre tem um sentido mais amplo. O contato físico, pele-com-pele, entre a mãe e seu filho é extremamente importante para a formação de traços psíquicos, emocionais, afetivos. O leite da mãe carrega anticorpos que promovem a primeira barreira de defesa contra os perigos do mundo, dando início à formação do sistema imunológico. O leite proveniente de uma mãe com dieta equilibrada promove proteção contra o desenvolvimento de obesidade na vida adulta.
Além do mais, o acúmulo de gordura no corpo da mãe durante a gravidez não é por acaso, essa será parte da matéria prima que irá constituir este novo ser humano. Desta forma, o bebê é literalmente um pedacinho da mãe.
Há razoavelmente uma década surgiu uma linha de pensamento científico que considera os primeiros 1000 dias de uma nova vida (incluindo a vida intraútero) como sendo o período crítico com janelas de oportunidade para a aquisição de uma “poupança” de saúde com impactos na vida adulta.
Pensada como uma proposta de políticas públicas e ações integradas especialmente em países com recursos escassos, a revisão da literatura científica que foi realizada para o estabelecimento dos conceitos chave tem utilidade prática para todos.
Nesta proposta estão contempladas ações em todas as áreas do desenvolvimento do bebê, mas mantendo o foco no período de aleitamento materno chama-se a atenção para a necessidade de aleitamento exclusivo durante os seis primeiros meses com a adequada nutrição materna, como já falamos anteriormente.
Pode parecer estranho, até preocupante, que a criança não tenha acesso nem à água neste período, mas se a mãe estiver devidamente hidratada, o leite terá a composição ideal de todos os nutrientes, água inclusive. Por isso, não se preocupe em oferecer água, chás, sucos ou qualquer outro tipo de líquido neste período.
Após este período inicial, podem sem incluídos outros tipos de alimentos, mas se for possível manter o aleitamento materno até os dois anos de idade, tanto o Ministério da Saúde, quanto a Organização Pan-Americana de Saúde e a Organização Mundial da Saúde fazem esta recomendação.
Para termos uma ideia do quanto o aleitamento materno é importante, visando estimular o aleitamento materno, na década de 1990 estabelece-se um plano mundial de diretrizes e metas que envolveu órgãos como Unicef e OMS no qual cria-se o selo “Iniciativa Hospital Amigo da Criança”.
Passo 1 – Ter uma política de aleitamento materno escrita que seja rotineiramente transmitida a toda equipe de cuidados de saúde;
Passo 2 – Capacitar toda a equipe de cuidados de saúde nas práticas necessárias para implementar esta política;
Passo 3 – Informar todas as gestantes sobre os benefícios e o manejo do aleitamento materno;
Passo 4 – Ajudar as mães a iniciar o aleitamento materno na primeira meia hora após o nascimento; conforme nova interpretação: colocar os bebês em contato pele a pele com suas mães, imediatamente após o parto, por pelo menos uma hora e orientar a mãe a identificar se o bebê mostra sinais de que está querendo ser amamentado, oferecendo ajuda se necessário;
Passo 5 – Mostrar às mães como amamentar e como manter a lactação mesmo se vierem a ser separadas dos filhos;
Passo 6 – Não oferecer a recém-nascidos bebida ou alimento que não seja o leite materno, a não ser que haja indicação médica e/ou de nutricionista;
Passo 7 – Praticar o alojamento conjunto – permitir que mães e recém-nascidos permaneçam juntos – 24 horas por dia;
Passo 8 – Incentivar o aleitamento materno sob livre demanda;
Passo 9 – Não oferecer bicos artificiais ou chupetas a recém-nascidos e lactentes;
Passo 10 – Promover a formação de grupos de apoio à amamentação e encaminhar
*Este texto foi retirado na íntegra do Portal do Ministério da Saúde.
A primeira coisa que a mãe deve estar ciente é de que este é um processo natural da vida e por isso deve acontecer com naturalidade. Se a mãe não tem experiência, imagine o bebê! Mesmo assim o bebê sabe o que fazer, então embora possa haver alguma dificuldade, medos, receios no início, em poucos dias vai estar tudo bem. Lembre-se, você nasceu pré-programada para saber fazer isso, talvez só precise de um empurrãozinho.
A amamentação é uma via de mão dupla, e por isso a participação ativa da mãe e do bebê neste processo é muito importante. Você sabia que a produção de leite é estimulado pelo contato físico e pela sucção que o bebê realiza nas mamas? Pois é, quanto mais o bebê mama, mais a mãe produz leite.
A produção de leite estimulada pelo bebê tem como mediador um hormônio chamado prolactina, no entanto a contração dos ductos que conduzem o leite até os mamilos é controlada por outro hormônio, a oxitocina. Este segundo hormônio está intimamente relacionado ao estado de humor da mãe, então é extremamente importante que a mãe não fique ansiosa ou insegura durante o período de amamentação porque estes sentimentos diminuem a oxitocina e dificultam o trabalho do bebê.
A primeira mamada deve acontecer o quanto antes seja possível, ainda na sala de parto se não houver qualquer impedimento. Este contato inicial bastante precoce tem um efeito muito positivo para ambos e facilita tanto o reflexo de sucção do bebê quanto a produção e ejeção do leite pela mãe.
Neste primeiro contato curta o momento, relaxe, emocione-se, apaixone-se por seu filhote e fique tranquila. É comum que o bebê não consiga pegar o peito logo na primeira tentativa, por isso precisamos ajuda-lo.
O mais indicado é que a mãe se posicione confortavelmente, sentada ou reclinada, apoie o seio com o polegar acima da auréola e os demais abaixo, permitindo que o bebê consiga colocar sua boca sobre o mamilo e grande parte da auréola. O bebê precisa estar bem apoiado e sempre que possível permitir o contato pele-com-pele.
Se você tiver alguma dúvida ou insegurança neste momento, pergunte, pergunte sempre! A equipe do hospital está treinada para dar toda a orientação que precisar.
A partir daí, dê de mamar sempre que o bebê quiser. Se sua alimentação foi equilibrada durante a gravidez e seu ganho de peso não ficou nem abaixo nem acima do recomendado, seu bebê sabe quando precisa de alimento. E para garantir que o leite não falte, dê de mamar até esvaziar a mama para fazer a troca.
Com essas dicas, você e seu bebê ficarão bem e isso aumentará bastante as chances de que ele ou ela seja uma criança saudável e um adulto saudável.